Uma mesma palavra pode ser utilizada de maneiras distintas, de acordo com o contexto e com a bagagem cultural própria daquele que a usa. Isso é comum com o termo intuição.
Recentemente, o blog corporativo da empresa DoceShop publicou um texto falando da intuição nos negócios. Para o autor, intuição é um mix de informação e sentimento.
Já o blog Não Zero divulgou uma palestra sobre o livro Super Crunchers, que trata da oposição entre decisões baseadas em números ou na intuição. Eu não li o livro e nem assisti à palestra, mas pude entender que a definição dada para os processos intuitivos é diferente daquela feita no Yôga.
Na nossa tradição cultural, a intuição surge com a supressão da instabilidade da consciência (chitta vrtti nirôdhah).
Para entender melhor, é preciso lembrar que o objetivo do Yôga é o autoconhecimento. Num certo sentido, podemos dizer que a meta é responder à velha pergunta filosófica “quem sou eu?“. A grande sacada desta filosofia milenar foi a forma direta e lógica com que se buscou a resposta.
Em primeiro lugar, a conclusão - maravilhosamente simples - que o Eu Sou não muda (até porque, se mudasse, seria “eu estou”). Portanto, tudo aquilo que muda (é transitório) não pode nem ser a resposta e nem levar a ela.
É fácil entender que o corpo físico se altera. Pode-se também perceber com facilidade que as emoções mudam constantemente e que os pensamentos não param nunca (mesmo lendo este texto curto, acredito que você tenha se dispersado uma vez ou outra).
Assim, a resposta deve ser alcançada por outro meio, que se aproxime mais da condição de imutabilidade. Este estado de consciência é a intuição.
A supressão da instabilidade da consciência é, portanto, uma fonte de informação direta, que não depende dos pensamentos (informações, análise, estatísticas) e nem das emoções. Todas as pessoas têm lampejos de intuição nos negócios, no dia-a-dia, em toda a vida. O exercício que nos possibilita desenvolvê-la chama-se meditação.
Dessa forma, no sentido aplicado no Yôga, decisões baseadas na intuição são sempre mais acertadas do que aquelas tomadas com base em sentimentos ou na razão, pois não são afetadas pela dispersão da consciência.
Para saber mais:
Livro Meditação (DeRose), em pdf;
Texto Vamos meditar um pouco?, de Claus Haas.
Tags: Empresas e negócios · Intuição · Meditação2 comentários


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