O ser humano é mesmo surpreendente. Às vezes para o bem, às vezes para o mal.
Para quem gosta de futebol, hoje acontecerá uma partida imperdível: a final da Copa da Uefa, entre Zenit (da Rússia) e Rangers (da Escócia). Para quem não gosta do esporte, o duelo não deixará de ser importante, devido às recentes declarações do técnico Dick Advocaat, holandês que comanda a equipe russa.
Advocaat, em entrevista ao site espanhol 20 minutos, surpreendeu a todos ao dizer que “não quer jogadores negros em seu time porque os torcedores não os querem”. Estas foram as suas palavras e, de fato, muitas das torcidas organizadas do Zenit são declaradamente racistas. 
Casos assim ocorrem aos montes em todos os países, mas vêm sendo tratados com indignação crescente por parte da imprensa. No Brasil, alguns dos times de maior torcida (como Fluminense, Grêmio, Coritiba e outros) não aceitavam jogadores negros até algumas décadas atrás. Recentemente, o blog Liberal, Libertário e Libertino iniciou uma grande discussão sobre racismo.
O Hinduísmo é a cultura segregadora oficial mais antiga que existe, sua divisão social por castas teve início há quase três milênios, após as invasões arianas. Originalmente, eram quatro castas. Estas se subdividiram e atualmente chegam às centenas. Há, ainda, milhões de pessoas sem casta, os dalits ou ‘intocáveis’ e ‘párias’.
Hoje, a constituição indiana diminuiu a discriminação. Mas, na prática, os “inferiores” continuam sendo humilhados e cruelmente assassinados.
Como no hinduísmo a casta é determinada por nascimento e não é possível mudá-la, muitos destes dalits convertem-se ao budismo, islamismo e cristianismo, para escapar da violência. Não faz muita diferença, pois continuam sendo perseguidos. O que dá a impressão, para nós ocidentais, de perseguição religiosa, mas na verdade é a continuação da guerra milenar perpetuada pelo sistema de castas.
Por essas e por outras eu sempre desconfiei quando via escolas e livros de Yôga falando somente do amor universal, da paz e outras coisas maravilhosas, mas sem dar atenção à realidade nua e crua. É claro que a Índia tem muita coisa boa a ensinar, mas não podemos fechar os olhos para as injustiças e os perigos. Talvez por isso eu tenha gostado tanto das aulas da Uni-Yôga, há menos hipocrisia e mais informação.
Em tempo: o Zenit sagrou-se campeão ao vencer por 2×0.
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