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Sámkhya, o fundamento teórico do Yôga Antigo

Publicado em 4/6/2008 por Francisco von Hartenthal

O termo Sámkhya traduz-se como número, discernimento ou enumeração e dá nome ao ponto de vista teórico do Yôga Antigo. Já pelo significado, percebe-se o aspecto extremamente lógico e isento de misticismo desta filosofia.

O objetivo do Sámkhya é responder à questão básica da filosofia: “o que é o Homem?”. Para isso, parte de um raciocínio bastante simples e lógico: considera que a resposta deverá ser necessariamente imutável. É fácil entender este pensamento, pois se eu proponho uma resposta à pergunta acima e esta resposta se altera (seja devido ao tempo ou às condições externas ou internas), então teria algo como o Homem está e não o Homem é, logo, não seria uma resposta aceitável.

Daí, temos o primeiro fundamento do SámKhya: a separação entre o que é a essência do Ser Humano (chamada, em sânscrito, Púrusha) e todo o resto que constitui sua Natureza (Prakrití).

Durante este processo de discernimento entre Púrusha e Prakití, esta é organizada em diferentes níveis de sutileza: os “elementos grosseiros” vêm para cá, os “sentidos” vão para lá, o “ego” fica aqui e assim vai. A organização da Natureza nestas categorias (em sânscrito, tattwas) é o segundo fundamento do Sámkhya. Para saber mais sobre os tattwas, consulte o blog do instrutor Marco Carvalho.

Note que o termo Natureza não designa o meio ambiente (animais, plantas, ecossistemas, etc.) e sim tudo o que é próprio do Ser Humano mas não constitui sua essência imutável. O Sámkhya tem como objeto apenas o Homem; as nossas relações com o Universo, no Yôga Antigo, são tema do Tantra.

O Sámkhya é tido como uma filosofia naturalista, ou não-mística. Afinal, independe da existência de qualquer tipo de entidade superior para o Ser Humano conhecer-se a Si Mesmo, todo o processo de autoconhecimento baseia-se no raciocínio dedutivo e na meditação.

O SwáSthya Yôga é fundamentado no Sámkhya. Por isso, nossa Cultura e nossas práticas não têm absolutamente nenhum misticismo.

Os tipos de Yôga modernos têm, sim, caráter espiritualista e místico, pois fundamentam-se em outra filosofia, o Vêdánta. Mas isso é outra coisa…

Para saber mais:

Sala de imprensa da Uni-Yôga, com artigos e entrevistas de DeRose.


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