Instrutor de Yôga

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Satyágraha - A firmeza na verdade

Publicado em 10/7/2008 por Francisco von Hartenthal

Certamente, você se deparou algumas vezes com o termo sânscrito satyágraha nos últimos dias. (Se isso não aconteceu, cuidado!, você está alienado.)

Este é o nome dado pela Polícia Federal à mega-operação que pôs na cadeia 17 pessoas. Entre elas, figurões de peso como Celso Pitta, Naji Nahas e Daniel Dantas.

Em sânscrito, satya significa verdade e agraha é força, firmeza, obstinação. Satyágraha foi o nome escolhido por Gandhi para designar sua proposta prática de não-violência: firmeza na verdade.

No desenvolvimento de sua obra, Gandhi substituiu a expressão “resistência passiva” por satyágraha. Para o Mestre, resistência passiva seria uma conduta adotada pelos fracos, pois não exige nada. Ao contrário, leva à subserviência e à tolerância para com a opressão. O oprimido não se deixa corromper, mas também não assume a responsabilidade de agir para mudar a situação.

Já satyágraha tem uma conotação totalmente diferente. É força, poder e energia. Mas sem violência. É o que levou Gandhi à sua grande realização. Na luta pela verdade, pela justiça e pela liberdade, ele derrotou o mais poderoso exército de sua época. Fez isso por que foi obstinado, forte e firme.

Muita gente confunde o Yôga dessa mesma forma, achando que nossa filosofia preconiza a não-violência de forma passiva. Grave erro. Nós, instrutores, às vezes levamos anos (mesmo!) para fazer um aluno entender que não é por aí.

Nossa Cultura prega a paz, sem dúvida, mas sem passividade e sim com combatividade. Com força, firmeza e retidão na defesa dos nossos valores.

Quanto à operação da Polícia Federal, vamos ver. Há quem diga que tudo vai acabar em pizza e que o melhor a fazer é seguir trabalhando e realizando dentro do seu próprio círculo de influência. E eu pergunto a você, leitor: será esta uma resignação passiva ou a obstinação em viver em retidão, longe de tantas falcatruas?

Para saber mais:

Artigo Os inimigos de Shiva, de DeRose, em word.

Tags:   · · 5 comentários

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5 comentários até agora ↓

  • 1 Caio Melo jul 10, 2008 às 2:45 pm

    De fato demanda tempo e paciência fazer com que os alunos e o público em geral entenda a diferença entre ser pacífico e passivo.

    Sempre vale a pena, porém, o esforço… então assim vamos nós.

    Parabéns por mais esse texto!

    Abraço do Caio

  • 2 Marco Carvalho jul 10, 2008 às 2:46 pm

    Gostei de ver… produzindo conteúdo.. parabéns brother.. vou até linkar este post… tá muito bom :)

    abraços

  • 3 Daniel Tonet - Uni-Yôga em Goiânia jul 10, 2008 às 6:29 pm

    Resignação passiva ou a obstinação em viver em retidão? Taí uma questão que só pode ser respondida depois de um longo exercício de meditação!

  • 4 Francisco von Hartenthal jul 11, 2008 às 12:53 pm

    Opa! Obrigado pelos comentários, pessoal.
    Bom, vou responder a todos de uma vez.
    Concordo com o Caio, também acho que o esforço para ser melhor compreendido vale a pena. Afinal, é para isso que estou blogando! :)
    Ao Marco, meu obrigado triplo.
    E, last but not least, ao Daniel digo que um instrutor de Yôga é certamente atuante e longe de ser resignado.
    Abraços gerais! \o/

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