Instrutor de Yôga

Yôga para iniciantes, empresas, academias e formação de instrutores

Instrutor de Yôga header image 2

A família de Shiva

Publicado em 1/8/2008 por Francisco von Hartenthal

Os mitos sempre revelam muita da tradição cultural à qual pertencem (e mesmo do inconsciente de toda a humanidade). Como trabalhamos com Yôga, a mitologia hindu é a que nos interessa. Dentro dela, as histórias referentes a Shiva e sua família são as que realmente importam, uma vez que seguimos a tradição do Yôga Pré-Clássico.

A maioria dos mitos que nos contam, têm alguma conotação mística ou um teor patriarcal (às vezes, até machista). As histórias shivaístas, por terem raízes no Tantra e no Sámkhya, são extraordinárias!

O Marco Carvalho, do blog SwáSthya Yôga - A Cultura, escreveu um artigo sobre como Shiva era um homem moderno, pois dizia à sua esposa (Parvatí) que não queria ter filhos e sim apenas aproveitar os prazeres próprios do homem e da mulher.

Pois é, mas Parvatí queria ser mãe e quando uma mulher decide ter um filho nada no mundo é capaz de segurá-la. Ainda mais uma mulher como Parvatí…

Um dia, Shiva resolve ir às montanhas para dedicar-se às suas práticas de Yôga, deixando sua bela companheira em casa. Após alguns anos nos Himalayas, o Mestre regressa. Podemos até imaginá-lo, no caminho de volta, pensando no conforto do lar e na companhia de sua amada após tanto tempo.

Porém, quando chegou, Shiva teve uma surpresa e tanto! Encontrou não Parvatí o aguardando ansiosa, mas sim um adolescentezinho petulante que não o permitia entrar em casa. Furioso, Shiva não deixou por menos e arrancou-lhe a cabeça. Nisso, vem Parvatí correndo e gritando: - Seu louco! Esse é o meu filho… er… quer dizer… nosso filho!

Shiva era mesmo um cara de cabeça aberta e pensou que, se sua esposa havia tido um filho durante sua ausência, tudo bem. Ele também não era santo. Então, resolveu a situação: colocou uma cabeça de elefante no pescoço do piá, o fez reviver e achou por bem passar mais tempo em casa, curtindo a família.

Parece que, no fundo, o que pautava este relacionamento era mesmo a liberdade e a sua contrapartida, a responsabilidade. Parvatí queria ter um filho, o teve e estava muito bem cuidando dele sozinha. Shiva não queria, foi aventurar-se pelo mundo e, quando voltou, entendeu que precisaria assumir sua família se quisesse continuar com ela.

Realmente, se vivessem hoje, eles formariam um casal considerado de vanguarda. O que nos remete à pergunta: seriam eles modernos ou nós ultrapassados?

Tags:   · · Sem comentários

Deixar um comentário

Sem comentários até agora ↓

  • Sem comentários até o momento. Faça o primeiro.
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.