O post anterior deu o que falar! O Marco Carvalho comentou duas vezes, alguns alunos me abordaram pessoalmente (um pedido: usem a caixa de comentários do blog!) e um leitor enviou por e-mail algumas dúvidas que achei tão pertinentes que publicarei minhas respostas.
Como o e-mail era longo e as respostas também, dividirei em três artigos a contar deste.
Comparando comer carne a um crime, ainda devemos respeitar a liberdade de ação do indivíduo só porque comer carne é socialmente aceito?
Não, devemos respeitar a liberdade de ação do indivíduo mesmo se não fosse socialmente aceito. Ser socialmente aceito é brinde para ele.
Além disso, criar animais, abatê-los, despedaçá-los, vender seus cadáveres e alimentar-se deles não é um crime. Traduza a frase assim: comparando fazer algo com o que eu não concordo com um assalto a mão armada… Não dá, não cabe comparação.
Temos que respeitar porque não tem uma lei que proíbe comer carne?
Não, temos que respeitar pelo princípio de respeito à liberdade. Por isso também devemos evitar ao máximo limitar o comportamento das pessoas através de leis. Leis exigem punição para quem não as cumprir. Perceba o desenvolvimento do pensamento repressor: eu não concordo, daí eu não aceito, então eu proíbo e, por fim, eu puno.
A História está repleta de causas nobres seguidas por pessoas que foram se tornando cada vez menos tolerantes aos divergentes e que descambaram para perseguições e guerras. Além do mais, nossas raízes são tântricas, no SwáSthya Yôga damos muito valor à liberdade.
(continua)
Tags: Cultura · estilo de vida6 comentários


6 comentários até agora ↓
Olha, realmente questões cruéis de serem respondidas.
Creio que o conceito de que “a liberdade de um termina onde começa a de outro” ajudaria muito.
Achei pertinente a comparação com um crime, embora muito desigual. Usando apenas o exemplo: devemos respeitar a liberdade de um assassino (redundantemente) assassinar?
Creio que obviamente não, mas não saberia responder depois de ver a logica do não concordar - não aceitar - proibir e punir.
Ainda considerando que valores e ética são inerentes a grupos populacionais e épocas, ainda mais com leis.
Mas ação e reação não o é… ou a gravidade.
Mas pera, a gravidade não munda conforme o planeta? Certo, limite-mo-nos à nossa realidade.
Vamos ver a continuação…
Embora o senso comum diga isso, a liberdade de um não termina onde começa a de outro porque dois indivíduos têm direito à sua própria liberdade independente sequer da existência de outro. Ou seja, a minha liberdade e a sua não se chocam!
Um assassino não tem a liberdade de matar, se ele o fizer será punido (idealmente). Mas ele tem o livre arbítrio de matar. A questão é o choque que se tem entre a liberdade na natureza e a liberdade em sociedade.
Boa discussão…
Po, entao na ta certo o ditado: a liberdade do cachorro pra morder termina onde comeca a minha perna! ???
Pobre do homem que precisa de leis para agir corretamente.
Acho que não…
(Na real, a liberdade do cachorro já havia acabado bem antes, né?)
A idéia de que a liberdade de um termina onde começa a de outro é uma falácia usada para mascarar a vontade de controlar os outros. Se a sua liberdade termina na minha, eu exerço controle sobre a sua.
Pois é, Alessandro, concordo.
Temos leis demais já, sou a favor de descriminalizar e não criminalizar.