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Uma lição e tanto

Publicado em 27/2/2009 por Francisco von Hartenthal

Adoro caminhar à noite em Curitiba. A qualquer época do ano, após as 11h estará frio e as ruas praticamente desertas. Caminhar nestas condições é uma delícia.

Ocorre que é uma cidade grande como qualquer outra e, com um hábito tão peculiar, era de se esperar que um dia eu seria assaltado.

Semana passada, pouco antes da meia-noite, um sujeito chega para mim: E aí?

Bom, “E aí ” é uma abordagem muito gentil para um larápio, mas mesmo assim continuei em frente. Ele insistiu e, mexendo na camisa, mandou que eu passasse todos os meus pertences.

Tenho dificuldade em aceitar um assalto. Não é uma negociação justa! Um único centavo levado desta forma é uma afronta aos meus princípios éticos. Minha tendência é argumentar e tentar protelar o desfecho para buscar uma saída digna - correndo desesperadamente.

Eu não acreditava que o patife estava armado. Simplesmente ficar mexendo na camisa, como se houvesse uma arma ali, não iria me convencer. Tentei conversar e o cara ficou nervoso.

Para encurtar a história, quando ele esbugalhou os olhos, berrou e apontou aquele cano prateado para mim, percebi que as coisas não estavam sob o meu controle. Imediatamente, esvaziei os bolsos e presenteei o amável cavalheiro com os frutos do meu trabalho.

Não se preocupe, não perdi nada de valor (além da minha agenda de contatos e de algumas fotos da minha filha). Mas aprendi duas grandes lições que quero compartilhar com você:

1. Evite andar sozinho de madrugada por ruas desertas - não sei se vou conseguir cumprir isso sempre, mas diminuir o risco já é alguma coisa;

2. Parta do princípio de que o bandido está armado - eu quase deixei uma criança órfã por achar que o assaltante não tinha uma arma, que besteira!

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6 comentários até agora ↓

  • 1 Vivianne mar 1, 2009 às 12:40 pm

    Oi Chico!!!

    Esta situação é lamentável, mas sei como se sentiu, é uma abordagem desonesta colocando em prova nossa tolerância à essas criaturas desajustadas…O mais importante é que vc está bem e a colheita dos frutos do teu trabalho ainda será muito mais próspera…

    Abraço

  • 2 Francisco von Hartenthal mar 2, 2009 às 12:29 pm

    Oi, Vivianne!

    No fundo, não perdi nada de realmente valioso. E estarei melhor preparado para não perder numa próxima ocasião (sendo realista, é muito provável que passaremos por isso várias vezes na vida).

    \o/

  • 3 Anisio mar 3, 2009 às 2:12 am

    é, partindo do principio que o outro “não tem nada aperder”, não convem arriscar…

    tu foi feito pra viver numa cidade mais pacata :)

  • 4 Nilzo Andrade Jr. mar 24, 2009 às 9:52 am

    Amigo!

    Adquirí um hábito: andar com um celular falso e com uma carteira falsa bonita. Se alguém me abordar, entregarei os dois, ficando com meu celular original e com minha carteira de papel (http://www.improbabilidade.com.br/2009/02/fvm-carteira-feita-de-papel-a4/).

    Espero q ajude!

  • 5 Evelyne Baldan abr 15, 2009 às 9:09 pm

    Boa dica essa do Nilzo!

  • 6 Francisco von Hartenthal abr 15, 2009 às 11:26 pm

    É verdade, Eve. Uma dica valiosa (literalmente!!)

    \o/

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